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Argollo debocha dos associados do SIMERS

Publicado em

Criação de serviço desnecessário tenta camuflar gastos injustificáceis do presidente

Seria cômico, se não fosse um escancarado deboche. Depois de ser denunciado pelo movimento Renovação Médica por fretar aeronaves para fazer campanha no interior do RS, à custa dos associados, o presidente do SIMERS responde às acusações em seu melhor estilo: faz ouvidos moucos e cria uma “Força Aérea SIMERS” para atender aos médicos em suas emergências (?!), com advogado, jornalista e diretor.

Temos certa dificuldade para vislumbrar qual seria a emergência a acometer um associado que justificasse a disponibilização de uma “Força Aérea” para atendê-lo. Seria, por acaso, um infarto? Mas, nesse caso, o colega não precisaria de um advogado, mas de um médico e de uma UTI. Seria então uma prisão em flagrante? Nessa hipótese, teríamos que nos perguntar quantos associados foram presos em flagrante nos últimos anos, a justificar a manutenção de aeronaves fretadas à disposição para atendê-lo nessa “eventualíssima eventualidade”. O conceito em discussão é “custo-efetividade”, tema que surgiu como prioridade para discussão na Medicina apenas nas últimas décadas. É possível que quem não mais pratique a nobre arte há tanto tempo quanto nosso presidente desconheça sua importância. Ou é puro deboche!!!

Assim mesmo, não sejamos injustos com o presidente e concedamos-lhe o benefício da dúvida. Cogitemos a hipótese de que, em algum momento, tal emergência pudesse ocorrer, requerendo a presença de uma força-tarefa político-jurídica (poderíamos chamá-la de “Batalhão de Operações Político-Jurídicas Especiais” apenas para seguir o viés presidencial) em poucas horas no local. Nessa hipótese, teríamos primeiro que supor que a aeronave estivesse sempre disponível para o SIMERS, o que significa exclusividade, a custos inimagináveis.

Também, teríamos que sopesar o tempo necessário para disponibilizar a equipe e a aeronave e chegar à cidade em questão, contra o tempo de deslocamento da equipe por via terrestre, o que deixaria apenas as cidades mais distantes de Porto Alegre como passíveis de serem atendidas por tal serviço aéreo emergencial.

Ainda, há que se considerar que poucas cidades do interior do RS possuem aeroportos, obrigando o pouso de aviões em centros maiores e requerendo deslocamento por via terrestre. Ou seja, sobram muito poucos lugares para serem atendidos pela tal “Força Aérea SIMERS”, a não ser que se pretenda lançar diretores e advogados de pára-quedas. Bem, de nosso presidente, não se duvida mais nada.

E, finalmente, teríamos que voltar à primeira questão: qual a probabilidade de que, numa dessas poucas cidades nas quais pudesse haver algum benefício no uso de aeronaves, um médico associado venha a requerer assistência sindical com tal urgência que justifique a manutenção de uma “Força Aérea”?

Mesmo onde se justifica esse tipo de recurso – emergências médicas — há especial atenção para fazê-lo racionalmente : “The large majority of trauma patients transported by both helicopter and ground ambulance have low injury severity measures. Outcomes were not uniformly better among patients transported by helicopter. Only a very small subset of patients transported by helicopter appear to have any chance of improved survival based on their helicopter transport. This study suggests that further effort should be expended to try to better identify patients who may benefit from this expensive mode of transport” (Pubmed).

Ou seja, incapaz de responder PORQUE USAVA AERONAVES FRETADAS PARA FAZER CAMPANHA NO INTERIOR e QUANTO ISSO CUSTOU AOS ASSOCIADOS DO SIMERS, o presidente debocha dos médicos e oferece-lhes um serviço caríssimo, absolutamente desnecessário e inútil, esperando que assim esqueçam do mau uso que fez das receitas sindicais. Estaria ele, então, apenas testando as aeronaves e a qualidade do serviço de bordo quando foi flagrado por nossos olheiros?

Ora presidente, tenha mais respeito por nossa inteligência!!!

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  1. robson martins pereira

    os medicos municiparios estão a merce desta politica de faz de conta.Não houve nehuma mobilização dos municiparios.Trabalho na restinga e sou obrigado a ir todos os dias cumprir minha carga horário porque perdemos o direito ao deslocamento.Direito moral.
    Ó salario parou no bpnus o plano de cargos e salarios desapareceu.
    WSera´que pe por que o sr argolo é do PDT OU foi?partido do prefeito.

    Responder
  2. ÚLTIMAS 1:
    Recebi hoje (no interior demora mais) o material de divulgação do “Força Aérea SIMERS”, que diz textualmente “O que é a Força Aérea SIMERS? Mediante acordo SIMERS/UNIAIR, em menos de 2 horas o sindicato coloca uma força-tarefa, constituída por um diretor, advogado e um jornalista ao lado do associado, em qualquer ponto do estado, em situações de grave vulnerabilidade, resultante da atividade médica. Literalmente, a proteção SIMERS vai chegar voando!”.

    Já discorri, no texto do blog, sobre a absoluta inutilidade de tal serviço de proteção, mas fico deveras chocado com a despreocupação dos marketeiros do SIMERS com a VERDADE (aquela que faz bem para a saúde), em favor da pura PROPAGANDA e do ENGODO.

    Observo que:
    1) De saída, tal panfleto inútil, para divulgar um serviço igualmente inútil, deve ter custado mais de R$ 10.000,00 (13.000 sócios x 0,50 = 6.500,00 + editoração + impressão gráfica do material com seleção de cores + “outros”). Ou seja, mais um factóide que custou os olhos da cara (1 ano de mensalidade de 10 associados). E como o papel é reciclado, provavelmente ainda ficou mais caro que os conhecidos “tijolaços” em cuchê.

    2) “Mediante acordo SIMERS / UNIAIR” (?!). O que significa isso? A que tipo de acordo se refere, se de um lado temos uma prestadora de serviços que espera cobrir seus custos e arrecadar dividendos para seus sócios; e de outro um Sindicato que não publica suas contas? Acordo, no mundo dos negócios, significa dinheiro, e não creio que a UNIAIR esteja fazendo acordos gratuitos. Portanto, reitero a pergunta da postagem principal: quanto custará ao SIMERS manter esse elefante branco?

    3) “Em menos de 2 horas” (?!). Essa foi de doer: do SIMERS ao aeroporto são quase 20-40min, dependendo do horário; 10m para taxear (os slots do Salgado Filho são de quantos minutos com um ILS1? 8 ou 10?); à velocidade de cruzeiro precisa-se 30min de vôo para chegar em Pelotas; pousar e descer do avião, mais uns 15m… Ufffaaah… Se tudo der muuuito certo e o AVIÃO ESTIVER DISPONÍVEL, dá para estar no aeroporto de Pelotas em pouco menos de 2 horas, onde se chegaria de carro em 3,5 horas!!! Se o médico estiver esperando no aeroporto, pode-se estar ao lado dele em menos de 2 horas, por uma diferençazinha no preço de uns 3.000%. Mas quem se importa com isso, se o dinheiro flui das torneiras à vontade e a ninguém se presta contas?

    4) “Situações de grave vulnerabilidade, resultante da atividade médica” (?!). Confesso que não entendi o que isso quer dizer, já que qualquer desses termos permite inúmeras interpretações (coisa de marketeiro que quer confundir). Isso sem falar que “gravidade” não se confunde com “emergência”. Fico pensando no supra-sumo da gravidade, que pudesse ser manejada por tal força-tarefa: de novo, a prisão em flagrante. Aquela cuja probabilidade de acontecer jamais justificaria um “acordo” que deixasse uma aeronave disponível (menos de 2h, lembram?) ao SIMERS. Mas, em que momento redigiria o advogado um Habeas Corpus? Aaaah… no avião, é claro. Mas antes teria que saber detalhes do caso e… lá se foram as 2h.

    Pois é… essa tem sido a triste realidade de nosso sindicato: muito investimento em marketeiros, pouco em serviços; muito factóide, pouco salário no bolso do médico.
    É esse o sindicato que você quer?

    Responder
  3. A propósito: como o papel do folder é de material reciclável, me pergunto como pode o SIMERS ganhar os prêmios de Top de Marketing ADVB “Responsabilidade Social”, gastando inutilmente muito material reciclável. Um total contra-senso, que só um estrondoso investimento em marketing explica. E em breve mostraremos o que isso significa em números e cifrões.

    Responder
  4. ULTIMAS 2:

    Frota ampliada, com mais 4 carros alugados e nova equipe de gerentes de relacionamento: 3 contratados e uma deslocada!!! Afinal, se estavam faltando pessoas para atender melhor os médicos, por que foram contratadas somente agora, que estão sendo criticados?

    Responder
    • Guilherme Brauner Barcellos

      Sami

      Recentemente atuei em um caso em que a paciente necessitou de transporte aeromédico e utilizamos da Uniair. Consideramos o serviço oferecido muito bom, apesar de aprender na pele o que é querer um transporte para ontem. Não acredito que o marketing de Paulo Mendes tenha feito isto (“em menos de 2 horas o sindicato coloca uma força-tarefa, constituída por um diretor, advogado e um jornalista ao lado do associado”) em real parceria com quem quer que seja da Uniair. É muito, mas muito, difícil de cumprir esta promessa. Veja o caso de POA-Uruguaiana pela NHT Linhas Aéreas hoje: Partida 10:42 Hrs – Chegada 13:12 Hrs. Mais de duas horas somente entre partida e chegada oficiais. Custa BRL651,00 por pessoa – bem mais barato do que fretando aviões inteiros: por menos de 2000 reais transportariam diretor, advogado e jornalista. Seria uma alternativa a ser considerada… Outra, não excludente, envolveria o apoderamento e capacitação dos representantes sindicais do próprio interior.

      Existiria algum dispositivo que impedisse o Sindicato de contratar para funções nitidamente relacionadas com promoção em ano eleitoral?

      Certamente não é possível, mas o ideal seria que, para cada contratação de alguém para fazer promoção, obrigássemos a contratação de um bom advogado para nos defender. Criticam que a indústria farmacêutica gasta mais em marketing e promoção do que em pesquisa e desenvolvimento. O que estamos fazendo no SIMERS? ? ? ? ? ?

      Principais responsabilidades das gerentes de relacionamento: Aproximar a instituição do interior do Estado da filial, independente da distância física. Prestar atendimento ágil e personalizado ao cliente. Realizar atualização cadastral in loco. Captar novos associados. Divulgar os serviços e demais “braços” da instituição no Estado. Viagens periódicas ao interior do Estado. Salário: 1.600,00 + Vale Transporte. Vale Refeição e/ou Alimentação R$ 15,00 por dia útil. Vale de R$ 60,00 na data do aniversário. Feira Ecológica com vale de R$ 30,00 mês. Bônus Natalino R$ 300,00. Muito parecido com: http://www.decisaorh.com.br/rh-recursos-humanos-pcds-nh-novo-hamburgo-porto-alegre-oportunidades.php?cid=1992&l=G. Em Porto Alegre, procure por Gerente de relacionamento. Estamos contratando mais?

      Enquanto isto, há advogados que ganhavam, até bem recentemente, em torno de 3.000,00 para dedicação na prática exclusiva aos médicos, não era isto? Enquanto o jurídico sangra, dá-lhe gerentes de relacionamento atrás dos médicos.

      Responder
  5. Pingback: Simersgate « Renovação Médica

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