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Simersgate III — O céu não está para brigadeiro

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Já apresentamos a nota-fiscal fatura (uma delas, temos quatro que somam R$ 88.000,00) de algumas das viagens ao interior do Estado, realizadas pelo presidente do SIMERS em aeronaves fretadas (clique aqui para ler a respeito). Elas têm início no segundo semestre de 2011, e se intensificam neste ano de eleições na entidade. Mas nos surgiu um outro questionamento: porque o valor-hora das aeronaves da Uniair é mais elevado para o Sindicato? Compare os documentos abaixo, compare o valor hora. Gratuidade? Provamos ser mentira! Parceria? Que custa mais caro do que para quem adquire sem parceria?

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Simersgate: todos os voos do presidente

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Fiquei magoado, não por me teres mentido,
mas por não poder voltar a acreditar-te”

(Friedrich Nietzsche)

O caso Watergate foi o escândalo político ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos da América que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon, eleito pelo partido republicano. Em 9 de agosto de 1974, Nixon renunciou à presidência dos EUA, não por ter ordenado a espionagem ilegal da oposição, mas por ter mentido ao povo americano, ao negar conhecimento dos fatos.

Em 17 de agosto de 1998, Bill Clinton admitiu ter mantido relações sexuais com a estagiária Monica Lewinsky dentro da Casa Branca. Com isso, evitava incorrer no mesmo erro de Nixon: mentir aos seus eleitores. Para Platão “a mentira autêntica é detestada não só pelos deuses, mas também pelos homens“, e os norte-americanos parecem levar isso muito a sério.

Quando o Movimento Renovação Médica denunciou o uso de aeronaves inteiramente fretadas pelo presidente do SIMERS para fazer campanha antecipada no interior, à custa dos associados (clique aqui para ler), rapidamente surgiu o serviço “Força Aérea SIMERS”. Milhares de folhetos publicitários em papel reciclável foram enviados aos associados, divulgando as supostas vantagens de tal serviço. O presidente calou sobre os custos disso.

Ao demonstrarmos a inutilidade e a megalomania por trás dessa apressada e insuficiente tentativa de justificar o injustificável e cobrarmos maiores informações sobre o suposto convênio com a Uniair (clique aqui para ler), o SIMERS retirou do site a propaganda. Novamente, nada informou sobre os custos.

Mas finalmente, na última edição da revista Vox Medica (n.º 59, págs. 12 e 13), o presidente do SIMERS insiste no “Força Aérea” e informa aos associados que o serviço de transporte aéreo é… GRATUITO!?

Mas então

Por que razão estamos pagando R$ 5.500,00 por hora de voo à Uniair, conforme a cópia da nota fiscal em anexo, uma entre algumas notas existentes? Já diz o bordão que “não há almoço grátis”; viagem de avião também não. (Clique na imagem para ampliar e depois utilize a lupa com o botão direito do mouse)

Se fosse nos EUA, tal mentira seria suficiente para que o presidente renunciasse ao cargo. E aqui?

Ao que parece, nosso presidente não leva muito ao pé da letra o slogan “A verdade faz bem à saúde”.

Argollo debocha dos associados do SIMERS

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Criação de serviço desnecessário tenta camuflar gastos injustificáceis do presidente

Seria cômico, se não fosse um escancarado deboche. Depois de ser denunciado pelo movimento Renovação Médica por fretar aeronaves para fazer campanha no interior do RS, à custa dos associados, o presidente do SIMERS responde às acusações em seu melhor estilo: faz ouvidos moucos e cria uma “Força Aérea SIMERS” para atender aos médicos em suas emergências (?!), com advogado, jornalista e diretor.

Temos certa dificuldade para vislumbrar qual seria a emergência a acometer um associado que justificasse a disponibilização de uma “Força Aérea” para atendê-lo. Seria, por acaso, um infarto? Mas, nesse caso, o colega não precisaria de um advogado, mas de um médico e de uma UTI. Seria então uma prisão em flagrante? Nessa hipótese, teríamos que nos perguntar quantos associados foram presos em flagrante nos últimos anos, a justificar a manutenção de aeronaves fretadas à disposição para atendê-lo nessa “eventualíssima eventualidade”. O conceito em discussão é “custo-efetividade”, tema que surgiu como prioridade para discussão na Medicina apenas nas últimas décadas. É possível que quem não mais pratique a nobre arte há tanto tempo quanto nosso presidente desconheça sua importância. Ou é puro deboche!!!

Assim mesmo, não sejamos injustos com o presidente e concedamos-lhe o benefício da dúvida. Cogitemos a hipótese de que, em algum momento, tal emergência pudesse ocorrer, requerendo a presença de uma força-tarefa político-jurídica (poderíamos chamá-la de “Batalhão de Operações Político-Jurídicas Especiais” apenas para seguir o viés presidencial) em poucas horas no local. Nessa hipótese, teríamos primeiro que supor que a aeronave estivesse sempre disponível para o SIMERS, o que significa exclusividade, a custos inimagináveis.

Também, teríamos que sopesar o tempo necessário para disponibilizar a equipe e a aeronave e chegar à cidade em questão, contra o tempo de deslocamento da equipe por via terrestre, o que deixaria apenas as cidades mais distantes de Porto Alegre como passíveis de serem atendidas por tal serviço aéreo emergencial.

Ainda, há que se considerar que poucas cidades do interior do RS possuem aeroportos, obrigando o pouso de aviões em centros maiores e requerendo deslocamento por via terrestre. Ou seja, sobram muito poucos lugares para serem atendidos pela tal “Força Aérea SIMERS”, a não ser que se pretenda lançar diretores e advogados de pára-quedas. Bem, de nosso presidente, não se duvida mais nada.

E, finalmente, teríamos que voltar à primeira questão: qual a probabilidade de que, numa dessas poucas cidades nas quais pudesse haver algum benefício no uso de aeronaves, um médico associado venha a requerer assistência sindical com tal urgência que justifique a manutenção de uma “Força Aérea”?

Mesmo onde se justifica esse tipo de recurso – emergências médicas — há especial atenção para fazê-lo racionalmente : “The large majority of trauma patients transported by both helicopter and ground ambulance have low injury severity measures. Outcomes were not uniformly better among patients transported by helicopter. Only a very small subset of patients transported by helicopter appear to have any chance of improved survival based on their helicopter transport. This study suggests that further effort should be expended to try to better identify patients who may benefit from this expensive mode of transport” (Pubmed).

Ou seja, incapaz de responder PORQUE USAVA AERONAVES FRETADAS PARA FAZER CAMPANHA NO INTERIOR e QUANTO ISSO CUSTOU AOS ASSOCIADOS DO SIMERS, o presidente debocha dos médicos e oferece-lhes um serviço caríssimo, absolutamente desnecessário e inútil, esperando que assim esqueçam do mau uso que fez das receitas sindicais. Estaria ele, então, apenas testando as aeronaves e a qualidade do serviço de bordo quando foi flagrado por nossos olheiros?

Ora presidente, tenha mais respeito por nossa inteligência!!!