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Arquivo da tag: melancólico círculo vicioso

SIMERS — Jogo das Eleições

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Convidamos você a imprimir o tabuleiro acima, conseguir um dado (o milenar cubo de azar/sorte), ou uma roleta com até seis números, e improvisar pequenas peças que percorrerão a trilha de casas. Nossa proposta é ao mesmo tempo diverti-lo e informá-lo como se dá o processo eleitoral no Sindicato Médico do RS. O jogo é simples, bem ao estilo dos antigos passatempos. O único porém será na escolha do lado que você irá jogar. Para aqueles que gostam de ganhar a qualquer custo e passando por cima de tudo (que acreditamos serem alguns poucos) é melhor escolher a chapa situacionista. O caminho da chapa oposicionista é mais difícil, repleto de obstáculos e surpresas.

Regras básicas

O tabuleiro sugere figurativamente as ruas do bairro Petrópolis, onde se localiza o SIMERS. A partida, a ser disputada por dois jogadores, consiste em iniciar do ponto sinalizado como LARGADA e percorrer o trajeto marcado pelas casas, em sentido horário, conforme o número indicado no dado a ser lançado de forma alternada por cada jogador. O objetivo é alcançar a linha de chegada, representada pela logotipia do SIMERS. É fundamental que cada jogador escolha uma chapa para representar: situação ou oposição.

Entenda a numeração e a história do jogo

1- Se você escolheu pela chapa da situação seu caminho está facilitado. Não precisa enfrentar a maratona de obstáculos da chapa oposicionista. Como se vê, o jogo reproduz as eleições no SIMERS, e tal como o mundo real, a desigualdade de tratamento entre as chapas também é reproduzida neste tabuleiro. Vá direto para o Atalho do Argollo.

3- Encontrar o edital de convocação é um grande feito. Nesta eleição até que não foi tarefa das mais difíceis (devido aos alertas da chapa de oposição), mas o padrão é publicar o edital em tamanho menor do que o habitual, em páginas de pouca visualização, e em jornais de circulação reduzida. O olho vivo, portanto, deve ser recompensado: avance duas casas.

6- A chapa de oposição, tomando como base o Regulamento Eleitoral, começa a busca de integrantes para compor a nominata necessária, antes mesmo da publicação do edital. Usa, então, o Termo de Aquiescência do regulamento da última eleição. Com um expressivo número de Termos assinados, vem o edital e com ele um novo regulamento (que exige até comprovante de endereço). Os termos assinados têm que ser desconsiderados, e cada médico contatado outra vez, solicitadas novas remessas de documentos pelo correio (interior), tempo perdido, etc. Então, volte uma casa.

9- Para completar o número de integrantes da chapa, o regulamento prevê 79 nomes. Destes, 33 devem obrigatoriamente residir em uma das cidades que compõe a área de abrangência das delegacias regionais do SIMERS. Para tanto, entre a retirada do regulamento na sede do Sindicato e a entrega da documentação requerida, no mesmo endereço, o edital estabelece somente 10 dias (com um feriado neste intervalo de tempo). A tarefa não é fácil. Por isso a proposta da chapa oposicionista de antecipar a composição da nominata — mas aí vem a mudança de regulamento. Enquanto isso, a chapa da situação, conhecedora de antemão de todos os prazos, assim como das alterações no regulamento (a Comissão Eleitoral, indicada pelo presidente do Sindicato, é quem cria o e modifica), constitui sua nominata.

15- Sem acesso ao cadastro de associados, a tarefa de mapear, contatar e conferir a situação de cada possível integrante da chapa fica dificultada. Por exemplo: a fim de participar no processo eleitoral, o médico tem que ser associado por um período mínimo de seis meses e estar rigorosamente em dia com suas obrigações financeiras perante o Sindicato (qualquer dívida, até mesmo pequenos valores referentes a serviços utilizados, impossibilita a participação no pleito). Um trabalho de conferência de dados que a chapa de oposição não tem como proceder. Enquanto isso, novamente, a chapa da situação, detentora do acesso ao cadastro, constitui sua nominata, conferindo e reconferindo a situação de cada elemento.

 18- Mesmo com todos os percalços impostos: desconhecimento antecipado das datas (edital) e das mudanças (regulamento), prazo exíguo, e inacessibilidade ao cadastro de associados, a chapa de oposição consegue completar a nominata exigida. Se só isso não é motivo para comemorar… E para permanecer neste jogo de regras desiguais.

20- Apesar do esforço do movimento opositor, a Comissão Eleitoral decide não homologar a inscrição da chapa em razão de alguns sócios estarem em dívida, e outros desassociados. Um simples e único e-mail é enviado à representante da chapa oposicionista, que alega não ter recebido tal comunicado. O sistema digital de envio da Comissão diz ter a confirmação de envio.

22- Dentro do prazo estabelecido, a chapa oposicionista solicita também a impugnação de elementos da chapa da situação (atuais diretores não teriam comparecido ao número previsto de reuniões ordinárias — cláusula constante em estatuto requer o afastamento e a inelegibilidade). Mesmo com problemas no prazo recursal, em função da precária (e estratégica) comunicação elaborada pela Comissão Eleitoral, a oposição apresenta seu recurso. A regra do tabuleiro impõe a retirada de uma carta revés — Comissão Eleitoral, pois são seus membros (escolhidos para a função pelo presidente do SIMERS) que definirão o futuro da chapa.

26- A única carta revés — Comissão Eleitoral que você vai retirar (todas são iguais) é esta: “Sua impugnação foi considerada insanável.” O estranho é que na eleição anterior, a única em que uma chapa de oposição consegue completar o périplo, idênticos motivos de impugnação foram considerados sanáveis por esta mesma Comissão Eleitoral (presidente e assessor jurídico —  aliás, advogado que presta serviços ao SIMERS). O único recurso cabível (e impossível) é convocar uma assembleia geral extraordinária com a presença de 1/5 dos associados (cerca de 2.600 médicos). Jogue o dado e só avance se tirar o número 2.

 28- A Justiça do Trabalho é o caminho a seguir. A chapa opositora ingressa com uma ação em que requer a anulação dos atos da Comissão Eleitoral e a homologação da chapa. As alegações: desproporcionalidade de tratamento pela Comissão Eleitoral, desrespeito com itens constitucionais que defendem a igualdade perante a lei, entre outros. É solicitada uma liminar. Avance três casas.

33- A Justiça do Trabalho decide ouvir as partes antes de definir sobre o pedido de liminar. Aguarde para avançar.

 37- Eleições no SIMERS. Chega a hora em que os associados podem avaliar as propostas das chapas, e, democraticamente, escolher quem dirigirá o Sindicato no próximo triênio.

Conheça o Atalho do Argollo

1- Com poder desmedido, o presidente do SIMERS e sua diretoria alteram o estatuto a cada novo mandato com o claro intuito de impedir o surgimento de grupos opositores. O caminho da arbitrariedade está pavimentado. Nem precisa lançar o dado. Avance duas casas.

 3- A situação, por meio do presidente do SIMERS, também tem a responsabilidade de escolher e nomear os integrantes da Comissão Eleitoral — que cria o Regulamento Eleitoral e o modifica a bel-prazer. É a pavimentação da verdadeira estrada de tijolos amarelos. Pule mais três casas.

6- A Comissão Eleitoral recebeu um pedido de impugnação da chapa situacionista, mas considera que não tem competência de julgá-lo (apesar da justificativa do pedido estar no estatuto). Por outro lado, é plenamente competente para julgar as impugnações da chapa da oposição. A sorte está do seu lado, mesmo. Vá adiante, vá adiante.

7- Utilizando a máquina administrativa (o dinheiro dos associados) a seu favor, a chapa da situação empreende campanha com o uso de avião fretado para as viagens do presidente ao interior do Estado, patrocina jantares e churrascos (franqueados) em diversos municípios, edita a toque de caixa edições da revista Vox Medica, distribui guias de serviços, etc. O know-how da permanência a todo custo no poder, a cada mandato é aprimorado com a contratação de gestores de imagens e renomados estrategistas de campanhas eleitorais. Você está ficando imbatível neste jogo antidemocrático, avance mais três casas.

10- Se tudo correr bem e os associados continuarem acreditando que: tudo está funcionando corretamente; o presidente é um líder nato e democrático; as prestações de contas estão perfeitas; os factoides valem mais do que ações e resultados reais; o poder desmedido e a arbitrariedade são inerentes à presidência; e os funcionários do sindicato precisam ser conduzidos sob extrema pressão, e não merecem ter seus direitos trabalhistas plenamente respeitados. Diante da aceitação deste cenário, o jogo está ganho e você emplaca mais um mandato.

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Manifesto

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Renovação Médica

Pela representação digna, transparência e ética no SIMERS

     Em 1998, um grupo de 24 médicos organizados em torno da “Chapa 2″ disputou as eleições do SIMERS com a chamada “Por um Simers forte, presente e atuante”, dizendo que “estamos assistindo a um melancólico círculo vicioso”e que era “preciso colocá-lo a serviço da categoria, como vanguarda do movimento médico”. A proposta de renovação dizia que a manutenção ao longo de décadas de um mesmo grupo dirigente, com uma visão superada da realidade médica, distante da vivência diária da maior parte dos médicos representa, no entanto, um peso demasiado”.

     A história todos conhecemos: a Chapa 2, liderada por Paulo de Argollo Mendes e Maria Rita de Assis Brasil venceu as eleições daquele ano 1998 e se manteve no poder até hoje por meios supostamente democráticos. Nos últimos 14 anos, o SIMERS cresceu, e muito: passou de pouco mais de 1.000 associados para 13.000; de uma receita de R$ 20.000 para R$ 20.000.000; de instituição obscura a uma das mais conhecidas do RS e do Brasil; de uma entidade decadente em uma das maiores empresas prestadoras de serviços aos médicos do Brasil.

     Porém, ao longo desses 14 anos, diversas manobras foram feitas pelo grupo dirigente atual, justamente para manter aquilo que criticavam em seu material de campanha de 1998: o continuísmo. Foram realizados diversos expurgos de diretores de reconhecida contribuição à instituição, por manifestarem crítica e insatisfação, não apenas com as arbitrariedades do seu principal dirigente, mas também com a gestão temerária da entidade. Ferindo o espírito democrático, expedientes que causariam inveja aos irmãos Castro foram adotados. Os estatutos, por exemplo, foram alterados por três vezes, de forma a inviabilizar qualquer tipo de oposição, para assim garantir a reeleição eterna do atual presidente, prática que deixaria até mesmo Hugo Chávez corado. Não bastasse isso,  a entidade se voltou de tal maneira para os interesses particulares de quem comanda, que o “jeton” da reunião de diretoria (que dura duas horas e tem jantar gratuito) é superior à remuneração de um plantão médico de 12 horas. Isso, sem mencionar gastos demasiados em comunicação cujos resultados questionáveis estão mais focados em ufanar a presidência da entidade ou em gerar e alimentar factóides na mídia para disfarçar a falta de políticas para a categoria.

     A inabilidade negocial da atual gestão se reflete não apenas na carência de conquistas reais com impacto positivo no dia a dia dos médicos, mas também no crescente desgaste da imagem destes junto à sociedade. A inabilidade e truculência do presidente nas negociações vêm conquistado mais inimigos à classe médica do que ganhos reais para a categoria.  Aliás, nosso presidente há tempos não é mais médico e sabe-se até que andou defendendo o reconhecimento de diplomas estrangeiros.

     Não se ignoram os imensos serviços prestados pelo SIMERS aos seus associados, principalmente os jurídicos, os quais recebem avaliações positivas de mais de 90% dos médicos, ainda que menos de 3% deles realmente tenham feito uso desses e de outros serviços. Ou seja, avaliamos positivamente algo apenas pela sensação de segurança que sua existência nos provoca. Mas será que estarão lá quando os médicos realmente precisarem? E terão a qualidade necessária? E o preço pago, é justo?

     Por essa razão, e outras que mostraremos e demonstraremos ao longo dos próximos dias, que agora um novo grupo de médicos, muitos dos quais expurgados da atual direção justamente por suas críticas, resolveu reunir-se e constituir sua “Chapa 2”. Os tempos mudaram, e agora tivemos de reunir 75 colegas em 34 cidades para enfrentar essa eleição (mais uma dificuldade criada nas sucessivas alterações estatutárias e que triplicou as despesas com “jetons” e diárias de reuniões no Hotel Sheraton), mas as críticas continuam as mesmas, com uma diferença: o SIMERS, que deveria ser dos médicos, agora tem um dono. Nada que já não tenhamos visto em uma certa ilha do Caribe, que em 1959 derrubou um ditador, para colocar outro em seu lugar.

     Ao longo dos próximos dias, traremos a público informações importantes sobre o funcionamento real do SIMERS, os desmandos de sua gestão e os prejuízos – políticos e financeiros – causados aos médicos. Mas não ficaremos apenas na denúncia, e apresentaremos também as propostas para mudar isso, para trazer nossa entidade “distante da vivência diária da maior parte dos médicos” de volta para sua vocação de servir aos interesses da categoria médica, e não do grupo dirigente de plantão.

     E começamos com aquela que nos é mais cara, em tempos de CPIs cascateiras: a TOTAL TRANSPARÊNCIA das prestações de contas do SIMERS, com divulgação de balanços detalhados, e dos valores pagos aos diretores (remuneração, diárias, jetons, etc), pois, afinal, esses valores são custeados com a sua, com a nossa mensalidade.

     Sindicatos não produzem nada, pois seu principal capital é a  capacidade negocial e capacidade de serviços. Se sustentam no nosso trabalho, de nossas contribuições. E, nada mais ético e justo que nos informem exatamente o que fazem com as mensalidades (caras) que pagamos. O SIMERS voltou ao “melancólico círculo vicioso” de 1998 e está na hora de mudar de novo, para melhor e para valer.

Sami El Jundi | Luiz Grossi | Marcos Rovinski