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Conheça nossos integrantes: Luiz Alberto Grossi

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Luiz Alberto Grossi (CRM/RS 8232) é médico formado na UFPEL, cirurgião geral e emergencista. Pertecente ao corpo clinico do Hospital Moinhos de Vento, Hospital Mãe de Deus, Hospital Ernesto Dornelles e Hospital Divina Providência. Foi preceptor da residência de Cirurgia do Hospital Petropólis. Socorrista da Unimed. Ex secretário-geral do SIMERS de diretorias anteriores, com marcada atuação no interior do Estado. Afastou-se  por não concordar com decisões arbitrárias do então, atual, presidente. Foi também presidente da Federação Médica Sul Brasileira de 2004 a 2005.

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Manifesto

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Renovação Médica

Pela representação digna, transparência e ética no SIMERS

     Em 1998, um grupo de 24 médicos organizados em torno da “Chapa 2″ disputou as eleições do SIMERS com a chamada “Por um Simers forte, presente e atuante”, dizendo que “estamos assistindo a um melancólico círculo vicioso”e que era “preciso colocá-lo a serviço da categoria, como vanguarda do movimento médico”. A proposta de renovação dizia que a manutenção ao longo de décadas de um mesmo grupo dirigente, com uma visão superada da realidade médica, distante da vivência diária da maior parte dos médicos representa, no entanto, um peso demasiado”.

     A história todos conhecemos: a Chapa 2, liderada por Paulo de Argollo Mendes e Maria Rita de Assis Brasil venceu as eleições daquele ano 1998 e se manteve no poder até hoje por meios supostamente democráticos. Nos últimos 14 anos, o SIMERS cresceu, e muito: passou de pouco mais de 1.000 associados para 13.000; de uma receita de R$ 20.000 para R$ 20.000.000; de instituição obscura a uma das mais conhecidas do RS e do Brasil; de uma entidade decadente em uma das maiores empresas prestadoras de serviços aos médicos do Brasil.

     Porém, ao longo desses 14 anos, diversas manobras foram feitas pelo grupo dirigente atual, justamente para manter aquilo que criticavam em seu material de campanha de 1998: o continuísmo. Foram realizados diversos expurgos de diretores de reconhecida contribuição à instituição, por manifestarem crítica e insatisfação, não apenas com as arbitrariedades do seu principal dirigente, mas também com a gestão temerária da entidade. Ferindo o espírito democrático, expedientes que causariam inveja aos irmãos Castro foram adotados. Os estatutos, por exemplo, foram alterados por três vezes, de forma a inviabilizar qualquer tipo de oposição, para assim garantir a reeleição eterna do atual presidente, prática que deixaria até mesmo Hugo Chávez corado. Não bastasse isso,  a entidade se voltou de tal maneira para os interesses particulares de quem comanda, que o “jeton” da reunião de diretoria (que dura duas horas e tem jantar gratuito) é superior à remuneração de um plantão médico de 12 horas. Isso, sem mencionar gastos demasiados em comunicação cujos resultados questionáveis estão mais focados em ufanar a presidência da entidade ou em gerar e alimentar factóides na mídia para disfarçar a falta de políticas para a categoria.

     A inabilidade negocial da atual gestão se reflete não apenas na carência de conquistas reais com impacto positivo no dia a dia dos médicos, mas também no crescente desgaste da imagem destes junto à sociedade. A inabilidade e truculência do presidente nas negociações vêm conquistado mais inimigos à classe médica do que ganhos reais para a categoria.  Aliás, nosso presidente há tempos não é mais médico e sabe-se até que andou defendendo o reconhecimento de diplomas estrangeiros.

     Não se ignoram os imensos serviços prestados pelo SIMERS aos seus associados, principalmente os jurídicos, os quais recebem avaliações positivas de mais de 90% dos médicos, ainda que menos de 3% deles realmente tenham feito uso desses e de outros serviços. Ou seja, avaliamos positivamente algo apenas pela sensação de segurança que sua existência nos provoca. Mas será que estarão lá quando os médicos realmente precisarem? E terão a qualidade necessária? E o preço pago, é justo?

     Por essa razão, e outras que mostraremos e demonstraremos ao longo dos próximos dias, que agora um novo grupo de médicos, muitos dos quais expurgados da atual direção justamente por suas críticas, resolveu reunir-se e constituir sua “Chapa 2”. Os tempos mudaram, e agora tivemos de reunir 75 colegas em 34 cidades para enfrentar essa eleição (mais uma dificuldade criada nas sucessivas alterações estatutárias e que triplicou as despesas com “jetons” e diárias de reuniões no Hotel Sheraton), mas as críticas continuam as mesmas, com uma diferença: o SIMERS, que deveria ser dos médicos, agora tem um dono. Nada que já não tenhamos visto em uma certa ilha do Caribe, que em 1959 derrubou um ditador, para colocar outro em seu lugar.

     Ao longo dos próximos dias, traremos a público informações importantes sobre o funcionamento real do SIMERS, os desmandos de sua gestão e os prejuízos – políticos e financeiros – causados aos médicos. Mas não ficaremos apenas na denúncia, e apresentaremos também as propostas para mudar isso, para trazer nossa entidade “distante da vivência diária da maior parte dos médicos” de volta para sua vocação de servir aos interesses da categoria médica, e não do grupo dirigente de plantão.

     E começamos com aquela que nos é mais cara, em tempos de CPIs cascateiras: a TOTAL TRANSPARÊNCIA das prestações de contas do SIMERS, com divulgação de balanços detalhados, e dos valores pagos aos diretores (remuneração, diárias, jetons, etc), pois, afinal, esses valores são custeados com a sua, com a nossa mensalidade.

     Sindicatos não produzem nada, pois seu principal capital é a  capacidade negocial e capacidade de serviços. Se sustentam no nosso trabalho, de nossas contribuições. E, nada mais ético e justo que nos informem exatamente o que fazem com as mensalidades (caras) que pagamos. O SIMERS voltou ao “melancólico círculo vicioso” de 1998 e está na hora de mudar de novo, para melhor e para valer.

Sami El Jundi | Luiz Grossi | Marcos Rovinski

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